segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Batata Doce - O Tubérculo Perfeito! SERÁ? // Desbananando Artigos

Não faz pouco que a batata doce tem sido tratada como a rainha dos tubérculos. Será mesmo que ela é tão superior ao aipim, à mandioquinha, ao inhame e à coitada da batata inglesa? 




Queridinha do cardápio dos marombas - ou, a rainha do baixo índice glicêmico - anda fazendo tanto sucesso que os outros tubérculos e até mesmo alguns cereais estão sendo esquecidos. Ela, inclusive, ganhou recentemente um suplemento alimentar, a batata doce em pó (UAAT?) - aham, isso mesmo. 


Por que, afinal, a batata doce se tornou tão famosa? Ela supostamente anda desfilando nas passarelas do mundo fitness por possuir um baixo índice glicêmico (IG). Para esclarecer rapidamente, os carboidratos podem ser absorvidos rapidamente ou lentamente. Se absorvido rápido, teremos um pico de glicose no sangue e, consequentemente, de insulina (nosso hormônio responsável pela entrada de glicose para dentro de nossas células). E por que é ruim que isto aconteça? Um dos pontos é que quanto menos tempo nosso corpo precisar para digerir um alimento, mais rápido sentiremos fome novamente. Outro detalhe importante é que altas concentrações de insulina estão ligadas ao maior acúmulo de gordura.  O índice glicêmico é expresso em números, ou seja, alimentos de alto índice glicêmico são aqueles com IG > 70, os de médio entre 56-69 e, por fim os de baixo IG <55. 

Ok, Desbananando Teorias, mas se a batata doce tem baixo IG, vou sempre preferir ela à batata inglesa, correto? HUMM, DEPENDE!


Um estudo publicado no British Journal of Nutrition avaliou o índice glicêmico de alguns alimentos nas suas diversas formas de preparo. Entre os avaliados, estão a batata doce e a batata inglesa, as quais irei destacar para falarmos aqui no post. 

Trago para vocês a tabela do próprio artigo, na qual aparece a maior surpresa desse estudo: 



*A primeira coluna se refere ao índice glicêmico dos alimentos na forma cozida, a segunda e terceira na forma assada e, por último, a frita. 


Em destaque estão na primeira linha a nossa queridinha, a batata doce, e abaixo a batata inglesa. O que podemos verificar? O índice glicêmico da batata doce cozida versus a inglesa é realmente menor (46 X 59) e pra quem lembra da nossa classificação explicada acima, este IG coloca a batata doce como alimento de baixo índice glicêmico. Entretanto, quando estes tubérculos foram avaliados na sua versão assada, a batata inglesa ganhou a batalha! UÉ!? Isto mesmo, a batata doce apresentou um IG de 94 versus 83 da batata inglesa, ambas se classificando com alto índice glicêmico. 

A partir desta análise, fica claro que quem continua afirmando que a batata doce é sempre melhor e é ela que vai te trazer a definição muscular não tem ideia do que está falando. Não estamos dizendo que a batata doce deve parar de ser consumida, pois afinal, na sua preparação assada ela possui alto índice glicêmico. Bullshit!! Longe disso! Temos é que parar de tornar nossa alimentação monótona baseada em apenas uma afirmação (o baixo IG da batata doce cozida, por exemplo) e variá-la mais, variar os nutrientes e é isso que importa! As pessoas andam muito assustadas com o tal de IG, mas, o que realmente importa é o conjunto de toda a refeição e sua carga glicêmica total. Vocês perceberam que a versão frita das batatas tem um IG MENOR que a versão assada? Isso é devido a gordura que leva na preparação. A gordura faz o IG diminuir, pois é o nutriente que leva mais tempo para ser digerido e, consequentemente, vai atrasar a absorção do carboidrato também. 

Por isso, se você fizer um prato completo, com todos os macronutrientes - carboidrato, gordura e proteína - a carga glicêmica da refeição não vai ser tão alta! Não significa que a versão frita é mais saudável do que a assada, ÓBVIO QUE NÃO, use a cabeça, por que não preparar uma batata assada e depois regar com azeite de oliva? E, ainda, na mesma refeição consumir bastante salada e alguma carne (fibras e proteína, que irão atrasar a digestão também)?! Isso também vale pra batata inglesa, o inhame, a mandioquinha, o arroz e tudo que anda sendo massacrado por aí.


Prometem para nós que irão variar mais a alimentação?
DIZ QUE SIM!!
heheh

Abraços,
Gi e Dé!

Qualquer dúvida --> Facebook ou desbananandoteorias@gmail.com



Fontes:
Link para o artigo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16925852

2 comentários:

  1. Boa gurias! Vocês têm o link do artigo? Fiquei curiosa! Obrigada e parabéns pelo trabalho!

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    1. Gi, é verdade, vou colocar a referência do artigo embaixo. Se eu achar o link colo também. Obrigada!

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