terça-feira, 6 de maio de 2014

Produtos Processados, quem são eles?! // Na Mídia











                No nosso dia a dia nos deparamos com diversos produtos nas prateleiras de supermercado, cada dia uma novidade, lista de ingredientes gigantes, alertas nas embalagens, como por exemplo: “sem gordura trans”. O que é isso tudo que nos cerca?

                   Este é o “boom” dos PRODUTOS (e não alimentos!) processados!


Como assim?

                Uma vez que o mercado alimentício não é mais o mesmo, (não encontramos apenas carnes frescas, frutas e verduras nos supermercados) pesquisadores estudaram para criar uma nova classificação de alimentos/produtos.  Pois havia os questionamentos: Será que é só dividir os alimentos em cereais, hortaliças, frutas, leguminosas, carnes, etc?  Será que hoje nossa alimentação pode ser dividida simplesmente assim? 

         Desta maneira, uma classificação a partir da natureza e finalidade do processamento de alimentos foi criada, ela divide os alimentos em 3 grandes grupos (1):


Grupo 1 – Alimentos – Os não processados ou minimamente processados

Grupo 2 – Ingredientes Culinários 
Grupo 3 – Produtos Alimentícios Prontos para o consumo – Os processados ou ultraprocessados



Então vamos entender um pouco mais de cada um, brevemente:


Grupo 1 – Os não processados são todos os alimentos in natura, ou seja, estão na sua forma animal ou vegetal de origem. Tais como: carnes, ovos, leites, frutas, hortaliças. Os minimamente processados são os que sofreram alguma intervenção industrial, mas sem que tenham sido adicionados de algum ingrediente, normalmente incluem alimentos que passaram por algum processo para aumentar o tempo de prateleira, tais como pasteurização, fermentação ou embalagem a vácuo.


Grupo 2 – São constituintes de alimentos in natura que são normalmente usados na culinária. Tais como óleos vegetais, farinhas, açúcares, massas sem pré-cozimento, entre outros. 


Grupo 3 – São alimentos que com a adição ou introdução de substâncias tiveram sua natureza inicial modificada. Geralmente não contêm nenhum alimento integral dentre os ingredientes ou ainda são formulações fabricadas principalmente a partir de ingredientes industriais. Incluem também as bebidas alcoólicas. 


Processados: São feitos a partir de alimentos in natura adicionados de substâncias, normalmente do segundo grupo, tais como óleos, açúcares e sal. Sofrem processos que tornam o alimento mais durável, palatável e atrativo. Tem a finalidade de serem consumidos como parte das refeições ou como lanches. Os alimentos ainda são reconhecidos pelo seu formato in natura. Como?  Sardinha enlatada em óleo com adição de sal – você ainda reconhece o peixe em sua estrutura in natura, ao contrário de um nuggets de peixe, por exemplo.  Estão neste grupo: Conservas de legumes e compotas de fruta (ex: frutas em calda). Atum ou sardinha em óleo, carne ou peixe defumados, presunto, bacon e queijos



Ultraprocessados: Não são feitos a partir de alimentos, mas sim de INGREDIENTES. A maioria deriva de ingredientes que passaram por tratamentos industriais, tais como hidrogenação de óleos, hidrólise de proteínas e açúcares modificados. Os ingredientes ainda são em grande parte ADITIVOS: conservantes, estabilizantes, emulsificantes, adoçantes, corantes, aromatizantes, entre tantos outros.  A função disto tudo é tornar o produto mais atrativo tanto na textura, gosto, aparência ou cheiro. Ainda podemos encontrar a adição de micronutrientes (vitaminas e minerais) para a fortificação dos produtos. Alguns exemplos: Cereais matinais, misturas para bolo, barras de cereal, sopas e massas instantâneas, batatas chips, salgadinhos, hamburguer, cachorro quente, carne empanada tipo nuggets, molhos, pães, biscoitos, sorvetes, margarinas, fórmulas infantis, refrigerantes, pizza, pratos compostos por carnes ou vegetais prontos ou pré-prontos para consumo.


Qual a consequência disto tudo?


Produtos industrializados ricos em açúcares e gorduras, tais como refrigerantes, salgadinhos e biscoitos possuem características sensoriais que facilitam e estimulam o consumo energético excessivo, principalmente entre as refeições. (2,3) Diversos estudos realizados com crianças mostraram que os processados eram os principais contribuintes para o aumento no consumo da energia total, teores de gorduras e açúcares na dieta. (4, 5, 6, 7, 8) Ainda, estudo realizado com adolescentes no estado do Rio de Janeiro mostrou associações do consumo de produtos processados e ultraprocessados com a síndrome metabólica. (9)

Hoje demos uma palinha sobre o que são os processados, para que vocês entendam um pouquinho mais sobre eles.

Eai, você vai começar a perceber o quanto os produtos processados fazem parte de sua alimentação? Aumentar o consumo de ALIMENTOS in natura pode fazer toda a diferença!


Abraços,

Gi e Dé!



1.    Monteiro CA, Cannon G, Levy RB, Claro RM, Moubarac J-C. The Food System. Ultra-processing. The big issue for nutrition, disease, health, well-being. [Commentary].World Nutrition December 2012, 3, 12, 527-569



2.  Ifland JR, Preuss HG, Marcus MT, Rourke KM, Taylor WC, Burau K, et al. Refined food addiction: A classic substance use disorder. Med Hypotheses. 2009;72(5):518-26.



3.  Yeomans MR, Blundell JE, Leshem M. Palatability: response to nutritional need or need-free stimulation of appetite? Brit J Nutr. 2007;92 Suppl 1:3-14. doi: 10.1079/BJN20041134



4.    Carmo MB, Toral N, Silva MV, Slater B. Consumo de doces, refrigerantes e bebidas com adição de açúcar entre adolescentes da rede pública de ensino de Piracicaba, São Paulo. Rev Bras de Epidemiol. 2006; 9(1): 121-30.



5.    Rivera FSR, Souza EMT. Consumo alimentar de escolares de uma comunidade rural. Comun Ciênc Saúde. 2006;17(2): 111-119



6.    De Graaf, C. Effects of snacks on energy intake: an evolutionary perspective. Appetite. 2006; 47(1):18-23. doi:10.1016/j.appet.2006.02.007



7.    Piernas C & Popkin BM. Increased portion sizes from energy-dense foods affect total energy intake at eating occasions in US children and adolescents: patterns and trends by age group and sociodemographic characteristics, 1977-2006. Am J Clin Nutr. 2011; 94:1324-32. doi: 10.3945/ajcn.110.008466.



8.    Reedy J, Krebs-Smith, SM. Dietary sources of energy, solid fats, and added sugars among children and adolescents in the United States. J Am Diet Assoc. 2010; 110(10):1477-84. doi: 10.1016/j.jada.2010.07.010.



9.    Tavares LF, Fonseca SC, Rosa MLG, Yokoo EM. Relationship between ultra-processed foods and metabolic syndrome in adolescents from a Brazilian Family Doctor Program. Public Health Nutrition. 2011; 15(1), 82-87. doi: 10.1017/S1368980011001571

2 comentários:

  1. Muito legal meninas! Com certeza vou prestar mais atenção nos alimentos que consumo. Bjos

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