segunda-feira, 19 de maio de 2014

Açúcar de Coco // Na Mídia

Afinal, ele é o “O adoçante perfeito” ou mais uma das armadilhas nutricionais da moda?!

 
 Texto da Giovanna Barcelos realizado originalmente para o Blog Nutritreiner

Poderíamos escrever coisas maravilhosas sobre o Açúcar de Coco e você iria ter vontade de sair correndo comprar, mas vamos olhar um pouco mais a fundo sobre esse novo queridinho da nutrição.

Primeiro vamos entender o que é o açúcar de coco e de onde ele vem:

Como todo o açúcar, seja a partir da cana de açúcar, beterraba, plantas de agave, provêm de plantas, não diferente, o açúcar de coco, provém do fluído das flores da Palma de Coco. Esta seiva/fluído é aquecida até que se torne um caramelo espesso que, após, é triturado em pequenos cristais.


Índice Glicêmico:

Se você der uma procurada na internet vai achar diversos sites afirmando sobre o baixo índice glicêmico (IG) deste açúcar.  Mas com que propriedade toda essa gente está afirmando isso? Há apenas um único estudo sendo citado em toda essa história, o qual foi realizado pelo Phillipine Department of Agriculture [1]. O estudo afirma que o IG do açúcar de coco é igual a 35, o que o classificaria como um alimento de baixo IG. Entretanto devemos salientar que temos apenas este estudo e sua metodologia incluiu um número amostral de, apenas, 10 indivíduos (!), todos adultos (entre 30 e 65 anos), eutróficos e não diabéticos. Ainda, o estudo utilizou o produto de apenas um fabricante. Sabemos que respostas glicêmicas variam muito entre os indivíduos e também que as amostras podem variar entre fabricantes e isso é basicamente tudo que foi descrito sobre a metodologia do estudo. Será que já da pra afirmar e assinar em baixo que o produto é de baixo IG?

coco

Carboidratos Encontrados / Composição:

                Os carboidratos encontrados em maior quantidade no açúcar de coco são sacarose (variando entre 70,5 e 78,9%), seguida por frutose e glicose livres em quantidades semelhantes (variando de 3% a 9% entre as amostras). [2] Outro estudo também mostrou uma proporção similar entre os açúcares. [3] 

E a frutose?

                Você vai ver que alguns defensores do açúcar de coco aclamam que este açúcar seria benéfico, pois contém pouco ou nada de frutose. Ok, “pouca” frutose LIVRE, a qual variou entre 3% e 9% nos estudos encontrados. Só que a sacarose, componente em maior quantidade no açúcar de coco e também o que compõem o nosso famoso açúcar de mesa, é formada por uma molécula de glicose e uma de frutose.  Após o uso exacerbado do xarope de alto teor de frutose, os malefícios deste monossacarídeo começaram a ser pesquisados. Chegou a se pensar que seria benéfico, pois a frutose não é insulinodependente e aumenta muito pouco os níveis de glicemia quando ingerida [4]. Dentre algumas das consequências do consumo elevado de frutose, estão: aumento das concentrações de triglicerídeos no plasma, esteatose hepática, resistência à insulina, e, ainda, desenvolvimento da hipertensão. [4] Alguns estudos ainda apontam que a frutose como componente da sacarose pode não ter diferença dos efeitos que causa a frutose livre [5;6], e há, ainda, uma possível teoria de que os malefícios atribuídos à sacarose estão diretamente relacionados com a presença da molécula de frutose [7].


O que o Blog conclui:

            Se você não é diabético e tem uma dieta balanceada, não vemos problemas no consumo esporádico deste produto. Apenas vamos salientar aqui que não devemos nos basear nos rótulos ou em sites que trazem informações inconsistentes. Este produto tem pouquíssimos estudos ainda para afirmarmos algum ponto de vista, entretanto possivelmente ele está, ainda, longe de ser perfeito. A maior parte das abordagens benéficas em torno dele são baseadas nos rótulos e nestes poucos estudos discutidos aqui. Esperamos que saiam mais estudos sobre ele e que as alegações possam ser devidamente confirmadas. Entretanto tenha cautela, gastar o preço absurdo que as casas de produtos naturais estão vendendo por uma pequena quantidade de gramas pode não ser um investimento tão bom assim. Abra os olhos!
Se vocês, leitores, acharem estudos novos sobre este produto: nos mandem! Estamos curiosas!

Beijos,

Gi e Dé!

Referências:
1. http://www.pca.da.gov.ph/coconutrde/images/sugarpdfs/TPTrinidad_FNRI.pdf

2. Sugar components of coconut sugar in Indonesia.Purnomo, H. ASEAN Food Journal 1992 Vol. 7 No. 4 pp. 200-201 1505-5337

3. Rate of browning reaction during preparation of coconut and palm sugar; Anton Apriyantono*, Astrid Aristyani, Nurhayati, Yeni Lidya, Slamet Budiyanto, Soewarno T. Soekarto A. Apriyantono et al. / International Congress Series 1245 (2002) 275–278

4. L Tappy M.D. et al. Fructose and metabolic diseases: New findings, new question.Nutrition 2010; 1044-1049

5.Tetri LH, Basaranoglu M, Brunt EM, Yerian LM, Neuschwander-Tetri BA. Severe NAFLD with hepatic necroinflammatory changes in mice fed trans fats and a high-fructose corn syrup equivalent. Am J Physiol Gastrointest Liver Physiol 2008;295:G987–95.

6.  Collison KS, Saleh SM, Bakheet RH, Al-Rabiah RK, Inglis AL, Makhoul NJ, et al. Diabetes of the liver: the link between nonalcoholic fatty liver disease and HFCS-55. Obesity (Silver Spring) 2009;17:2003–13.

7. Thresher JS, Podolin DA, Wei Y, Mazzeo RS, Pagliassotti MJ. Comparison of the effects of sucrose and fructose on insulin action and glucose tolerance. Am J Physiol Regul Int Comp Physiol 2000;279:R1334–44

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